Reconstrução mamária melhora qualidade de vida da mulher

A reconstrução mamária é uma saída para melhorar a auto-estima e a qualidade de vida de inúmeras mulheres que passaram pela mastectomia. Este processo cirúrgico interfere claramente na vida afetiva e sexual da mulher. Em muitos casos, a paciente é encaminhada pelo oncologista ou o mastologista. E é primordial que a decisão seja da paciente. Ela tem que demonstrar vontade, iniciativa de reconstruir a mama, e quando existem condições clinica para tal, a intervenção deve ser realizada.

Diante disso, esclareceremos algumas dúvidas sobre o procedimento de reconstrução mamária, com o cirurgião plástico carioca André Eyler, membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e da American Society of Plastic Surgeons.

André já realizou mais de duas mil cirurgias e é um dos pioneiros na técnica de lipoenxertia, tendo ainda extensa experiência em reconstrução mamária e próteses de silicone, além das tradicionais intervenções cirúrgicas da especialidade. O cirurgião atua no ambulatório de Cirurgia Plástica Reconstrutiva do Hospital Mário Kröeff (Hospital do Câncer no Rio de Janeiro, RJ) e também é membro da equipe do Hospital Anália Franco (São Paulo, SP) e do Hospital Clipsi, referência em saúde e qualidade hospitalar na região Nordeste (Campina Grande, PB).

“Não existe uma separação muito lógica de uma cirurgia estética para a reparadora. Toda cirurgia reparadora tem um propósito estético e vice versa. Entretanto, o termo reconstrução se aplica a uma reparação de uma mutilação, seja ela causada por cirurgia, acidental ou congênita (nascimento). Comumente se pensa em reconstrução apenas para os casos de câncer, no entanto existem doenças genéticas e, até mesmo infecciosas que podem provocar uma mutilação da mama, como a síndrome de Poland, em que a paciente nasce com apenas uma mama.

Uma mulher mastectomizada por câncer, por exemplo, não precisa se submeter a uma reconstrução. Há muitas pacientes que nem querem. A falta da mama não é incompatível com a vida, então a cirurgia não é imprescindível como a intervenção cirúrgica para a retirada do tumor. Em contrapartida uma mulher com mamas gigantes em que se retira 1 kg ou mais em cirurgia estética tem um ganho de qualidade de vida muito significativo, inclusive com melhora de lombalgia (dor nas costas) em muitos casos. Esta cirurgia não é propriamente necessária. No entanto, a mutilação provocada pela falta da mama acarreta baixa auto-estima e agrava a saúde mental da paciente, o que pode ainda comprometer a imunidade, pois, determinadas pessoas apresentam um quadro de depressão.

Atualmente na maioria dos casos as pacientes nem precisam passar pelo trauma da amastia cirúrgica, porque a reconstrução pode ser feita no mesmo tempo – simultaneamente na mesma intervenção – cirúrgico da mastectomia. O trauma psicológico é muito menor e em muitos casos a estética das mamas até melhora com a reconstrução.” (André Eyler).

Da primeira consulta até o dia da cirurgia e o pós-operatório. Passo a passo.

O mastologista encaminha a paciente ao cirurgião plástico antes da cirurgia para avaliar a possibilidade de reconstrução. Está é combinada entre os dois cirurgiões e a paciente de acordo com o tratamento a ser imposto. Existem diversas variantes que tornam cada caso único como a radioterapia, quimioterapia, o tamanho do tumor e a curabilidade.

A partir daí é traçado o plano cirúrgico com o tipo de cirurgia que a paciente será submetida. E dado a ela a opção da reconstrução com métodos mais simplificados ou mais agressivos, cada um variando o resultado. As escolhas são muito vastas, e cada paciente tem a cirurgia mais adequada, até mesmo a reconstrução tardia ou mesmo não reconstruir.

O pós operatório é muito variável, pois depende do tipo de reconstrução realizada. Uma reconstrução com o abdome requer um repouso domiciliar de no mínimo 15 dias e implica numa recuperação mais arrastada. A colocação simples de um implante tem uma recuperação muito mais curta. Mas cada paciente tem uma indicação diferente de tratamento. A ausência da mama traz a paciente um trauma psicológico muito grande. Mas, a reconstrução devolve consideravelmente a autoestima e melhora a qualidade de vida.

As maiores queixas das pacientes de reconstrução tardia são na maioria com o vestuário e de cunho sexual, sendo a primeira muito mais comum. Elas tem muita dificuldade em vestir-se já que a prótese externa não imita bem a mama. Porém, as pacientes de reconstrução imediata se preocupam em como vai ficar a forma das mamas e, claro principalmente se vão sobreviver à doença.

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